MIGRANDO DE BLOG

Boa tarde, meus amigos. 

Depois de algum tempo hospedando minhas idéias no Arteblog, estou migrando para o Blogspot. Nada contra nosso atual serviço de blog, mas tenho recebido dos amigos algumas reclamações, principalmente relacionadas ao exceço de anúncios deste espaço. 

Estou migrando aos poucos o conteúdo para http://blogdoleandroaraujo.blogspot.com/

Muito obrigado aos amigos que me acompanham por aqui, espero que continuem por lá também... onde pretendo manter o blog atualizado com mais conteúdo. 

Um grande abraço.

Leandro de Araújo.´.

quarta 11 maio 2011 12:37


Aloha, jovens...

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Ouvindo agora "Aloha", do Legião Urbana, fico me perguntando se ELES não conseguiram... Transformaram a maioria de nossos jovens em acéfalos, iguais, que priorizam o sexo acima de qualquer coisa.

Somos reflexos de nossos ídolos. Antes Renato Russo, Raul Seixas, Marley, Cazuza. Hoje funkeiros, pagodeiros, rappers americanos. Nada contra, mas transformar essa pobreza de espírito em "sentido da vida" é algo que transforma nosso jovens em seres sem perspectivas, sem qualquer possibilidade de servir ao mundo de alguma maneira, apenas transeuntes que sugarão o que o mundo tem a oferecer, sem jamais pensar em reciprocidade.

Tantos lutaram justamente para que o sistema não nos transformasse em meras cópias uns dos outros, sem capacidade crítica ou vontade de transformação. Quando pensamos que estávamos livres do jugo das "ditaduras militares", viramos meros objetos nas mãos da ditadura cultural.

Uma ótima semana a todos nós que ainda temos esperança.

segunda 11 abril 2011 04:31


Tornar-se adulto

Tornamo-nos verdadeiramente adultos quando nos damos conta de nossa fragilidade e nos entristecemos com a proximidade do fim. Algumas pessoas fazem isso aos dez anos, outras aos cem, os artistas nunca.

Leandro de Araújo

quarta 06 abril 2011 13:07


Érico e o sonho...

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A vida pode ser maravilhosa a ponto de nos permitir pegar um sonho com as mãos.

terça 07 setembro 2010 18:55


Respeito

Blog de blogdoleandro :Blog do Leandro, Respeito

Ao contrário do que muita gente pensa, os homens que viviam no campo, mesmo nos recantos mais distantes da civilização urbana, sempre foram muito vaidosos. Não a vaidade baseada no consumo ou padrões de beleza como vemos nas comunidades cuja mídia dita as maneiras de vestir e andar, mas uma vaidade relacionada ao meio em que o homem estava inserido e as ferramentas que facilitavam a interação com este meio.

Era vaidade temperada com orgulho. Era a faca que cortava mais, um artefato de couro bem acabado, o cavalo mais rápido, a arma de melhor pontaria, um enxame de abelhas que deu mais mel, o maior peixe pescado em uma pescaria ou outras coisas que para nós hoje não tem significado algum, mas que nos tempos do vô Cungo tinham uma importância cabal.

Sempre via os olhos do vô brilharem quando contava a respeito daquilo que lhe davam orgulho, que o deixava maior ou melhor diante dos amigos ou das comunidades onde estava. Dentre estes “mimos” houve muitos cachorros. Bons de caça ou para a lida do gado, era com uma alegria de guri que contava de casos onde um cachorro afundava no rio agarrado a um capincho e só voltava à tona com o bicho junto. Quantos cães ele teve que valiam mais que uma pessoa no trabalho com a pecuária, ou então que eram apenas bons companheiros para camperear ou para tomar mate no galpão. Dentre tantos animais fantásticos, tinha um que lhe embaçava os olhos sempre que contava de suas proezas. O nome do cão: Respeito.

Respeito foi um dos cachorros que mais tempo acompanhou o vô Cungo. Era tão bom que outras pessoas que viviam no interior de Alegrete costumavam mandar seus cães para ficar alguns dias com ele para aprender a caçar ou lidar com o gado com a mesma eficiência e maestria. Caçava tatus e capinchos como nenhum outro cachorro nas redondezas. Brigava com um “mão-pelada” de igual para igual e, por mais de uma vez, alertou o vô a respeito de cobras venenosas que estavam pelo caminho ou em volta da casa.

Na lida campeira agia tal qual um peão experiente. Na mangueira apartava o gado com apenas um comando de voz. Tropeando, não precisava nem mandar quando uma rês se desgarrava, tratava logo de trazê-la de volta à tropa.

Parceiro de todas as horas, jamais latira para criança nenhuma, muito pelo contrário, era bastante paciente com a gurizada. Costumava deitar em silêncio durante a hora do chimarrão, e à noite era um sentinela vigilante, sempre atento a movimentos estranhos ou ataques dos sorros, os quais já havia matado três que vieram roubar galinhas durante a madrugada.

Resumindo, podia-se dizer que Respeito era a personificação da lealdade de um cão com seu dono.

No entanto, quem vive no campo sabe que convivência entre homens e animais é delimitada por uma tênue linha, que muitas vezes pode se partir sob a menor tensão. Os animais campeiros são funcionais, sejam cavalos, bois ou cachorros. A submissão é necessária, pois muitas vezes há necessidade de algo que vá além da confiança, pois a produtividade do pequeno produtor é essencialmente de subsistência, e qualquer quebra da ordem natural pode representar um prejuízo à família. A relação homem X bicho jamais se sobrepõe ao interesse da estabilidade familiar. Existem casos extremos de histórias de pessoas que tiveram que sacrificar animais de estima para que seus entes pudessem se alimentar, ou então que mataram animais de casa porque estes estavam representando algum risco à integridade das pessoas próximas.

A história do cão chamado de Respeito não termina da forma mais bela, e aqui talvez não caiba julgamento sobre o que seria certo ou errado em seu desenlace, mas uma reflexão a respeito do rígido código de moral e ética que compunha a formação destes homens, mulheres e crianças que viviam em um universo completamente alheio ao que vivemos hoje em dia.

Continuando a história, é de conhecimento de todos que no interior as pessoas têm o costume de “sestear” à tarde, logo após o almoço. Hábito esse que faz parte da cultura destas pessoas desde que existe campo. Visto que depois da sesteada daquele dia o vô Cungo não enxergou o Respeito nas proximidades da casa, logo pairou uma desconfiança no velho campeiro. Nos quatro dias seguintes o fato se repetiu; durante a sesta o Respeito desaparecia, e voltava a reaparecer horas depois. Chegava de cabeça baixa, com o rabo entre as pernas, se enfurnava no galpão e lá ficava como que se escondendo após ter cometido um erro imperdoável.

Vô Cungo não teve dúvida, e naquela sexta-feira chuvisquenta de agosto ficou observando de longe seu cachorro, e seguiu-o discretamente para ver qual o destino de suas fugas diárias. Viu-o entrar em uma grota que ficava há uma centena de metros da casa e mansamente enfurnou-se naquele pequeno universo formado por sombras e verdes. Os olhos do Cungo encheram-se de horror quando viu a cena: embaixo de uma aroeira, Respeito estava envolto em um cenário de sangue, lã e restos de cordeiros recém mortos.

Não há outro destino para cachorro que “corre” ovelhas. A lei do campo é incisiva e cruel: morte. Cungo sacou o revólver (todo campeiro que se preze carregava uma arma consigo) e, não sem antes chamá-lo pelo nome uma última vez, fez fogo duas vezes, silenciando definitivamente aquele que muitas vezes latira em defesa de seu dono. Anos depois da vez em que ouvi esta história, pensei que o fato de tê-lo chamado pelo nome antes de atirar foi uma forma de encará-lo de frente, de não aplicar a pena capital pelas costas, uma forma leal de aplicar a lei do campo.

Não lembro ter ouvido esta história mais de uma vez, mas lembro de que esta foi a única vez que vi meu avô chorar.

terça 28 julho 2009 19:32


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